5 Marcas, Várias Pesquisas e Uma Grande Incerteza
Outro dia recebi um convite para entrar no site 5Brand.Net e escolher cinco marcas que me definem. Achei interessante e logo me cadastrei e comecei a procurar minhas marcas preferidas. Essa experiência serviu para reforçar uma opinião que eu tenho sobre pesquisa de mercado: Desconfie do resultado. Sempre. Principalmente quando se tratar de um tema subjetivo, como se definir através de cinco marcas.
Eu escolhi as cinco, mas não tenho certeza da minha resposta. E foi bem difícil. Na verdade, percebi que existe uma diferença sutil entre as minhas marcas preferidas e marcas que definem a minha personalidade. Nem sempre são as mesmas. Fiquei pensando nas interpretações distorcidas que uma pesquisa como essas pode causar.
As pesquisas se baseiam na premissa de que as pessoas sabem responder sobre elas mesmas melhor do que ninguém. Só que se isso fosse verdade ninguém precisaria de analista.
É fato também que as pessoas mentem. E não necessariamente por mal. Mentem porque tem vergonha, porque querem ser outra pessoa ou porque não tem saco para ficarem pensando muito sobre o próprio comportamento. Mentem muitas vezes sem saber que estão mentindo. Nós simplesmente não somos confiáveis. E não acredito muito em margem de erro, pois acho que quem mente é a grande maioria.
Acredito que uma boa intuição é melhor do que uma detalhada e cara pesquisa. A maioria dos produtos inovadores de grande sucesso jamais seriam produzidos se fossem depender de pesquisa de mercado. A cadeira Aeron, por exemplo, foi um fracasso nas pesquisas com consumidores e a empresa resolveu colocar à venda assim mesmo, alcançando um enorme sucesso.
Se lembra de como o Gatorade era um troço aguado e ruim quando foi lançado? O sabor continua o mesmo, só que agora a gente gosta. E o RedBull? Eu confesso que jamais diria que uma bebida com um gosto daquele poderia se tornar esse fenômeno mundial. Quer demonstração maior do que uma marca bem trabalhada pode fazer?
Forma boa de fazer pesquisa é quando a pessoa não percebe que está sendo pesquisada. Nada melhor do que observar o consumo, o comportamento e as discussões dos consumidores.
O negócio é que as grandes empresas funcionam num sistema de ciência exata. Acham que o comportamento do consumidor pode ser sempre medido e avaliado com precisão numa planilha excel.
Algumas marcas como Nike, Nestlé e Unilever já gastam mais com mídias denominadas "não mensuráveis", do que com mídia convencional. E pasmem: dá resultado!
Paixão, emoção e autenticidade não são precisamente mensuráveis. É necessário admitir e saber conviver com esse fato para inovar num mercado cada vez mais globalizado e competitivo.
Até hoje não estou certo das cinco marcas que escolhi no 5Brand.Net, mas a minha incerteza já é vista como certeza por alguém. Acho que nem Freud explica…

Concordo! Mas, numa ciência inexata, como os caras vão justificar investimentos milionários? E mais, feeling é pra poucos aventureiros. Pesquisa antiga é consumo morto. Abs!
Obviamente sempre existirá um certo grau de imprecisão. O importante é acompanhar o resultado de vendas, feedback e a relevância da marca para o público alvo. A internet é uma excelente ferramenta para ajudar nessa avaliação. Quantas citações, se são positivas ou negativas, nível de engajamento, etc. O “feeling” não é “do nada”, mas baseado no diálogo das marcas com seus consumidores.